Alimentação Infantil – A meta pode ser tudo… menos fazer nossos filhos comerem!

Esta semana, logo após esclarecer dúvidas de uma mãe a respeito de como lidar com a alimentação dos filhos, acabei me deparando com um texto sobre o assunto em questão. Texto da Educadora alimentar infantil, Fabiolla Duarte, cujo título é Introdução alimentar: “A meta, não é comer”. Um ótimo tema para reflexão.

Aí você pode estar se perguntando: Oi??! Não devo fazer meu filho comer? Isso mesmo!

É nítida a dificuldade dos adultos de entenderem sua jurisdição a respeito do “Alimentar-se”, de seus filhos. Nossas mentes, nos últimos anos, deram um nó com a mistura de todas as nossas crenças, culpas, relações desajustadas com a própria alimentação, modismos e radicalismos alimentares, mídia, indústria das dietas e a indústria alimentícia. Todos, unidos, vêm nos massacrando e influenciando nossas escolhas, diariamente. Sendo assim, como poderíamos esperar por algo diferente na nossa função de pais. Sentimo-nos perdidos na hora de lidar com a educação alimentar e promoção de bons hábitos de saúde de nossos filhos!? MEOoooDEOS!!!

Precisamos começar pela reflexão sobre nós mesmos. Avaliando nossa alimentação e relação com a comida e com o comer. Posso lhes assegurar  que dificilmente conseguiremos conduzir a alimentação dos nossos pequenos, se não tivermos uma linha de raciocínio minimamente pré-estabelecida em torno do assunto.

O papel dos pais, certamente, não é o de subornar, coagir, forçar, ignorar ou deixar que depois de adultos eles mesmos decidam como resolver a bagunça toda.   Afinal, não foi assim com a gente?!

Ah, mas eu sempre fiz assim, minha família fez assim e sobrevivemos! Rsrsrs. Como diz Dr. Flavio Melo – excelente pediatra que acompanho nas redes sociais – “Não estou aqui para orientar sobreviventes!” Rsrsrs. Certamente não precisa ser desta forma! Nem 8, nem 80 serão a solução. No fundo todos nós até já sabemos disso. Só não queremos mesmo, é admitir!

Há saída! Para adultos, crianças e famílias. Apenas precisamos aprender a filtrar informações e proteger nossos filhos dessa loucura alimentar. Insanidade disfarçada de “o certo para a saúde”, que abduziu nosso discernimento e poder de decisão, e nos deu em troca muito medo e culpa por cada  escolha que envolva prazer no comer.

Pois bem! O papel dos pais:  devemos gerenciar o ambiente, planejar e organizar a rotina, nos responsabilizar pelas compras e por promover o equilíbrio do que é oferecido às crianças, mas sem abrir mão do prazer. Nada como podermos salivar por um delicioso prato de comida!

Depois disso, ainda nos cabe oferecer de maneira consistente e incansável os alimentos que a criança necessita, sem cortar nada que lhes dê prazer. Tudo é apenas uma questão de equilibrar quantidade e frequência. Precisamos aprender a conduzir a alimentação da criança, sem invadir o espaço dela, sendo firmes, porém gentis, sempre.

Precisamos retirar nossas expectativas e julgamentos do momento da refeição. Muitas de nossas ações revelam ansiedade e estamos, na verdade, tentando de uma maneira ou outra compensar na alimentação das crianças, todas as nossas desilusões, frustrações ou até mesmo sonhos por hábitos alimentares que não conseguimos desenvolver em nós mesmos. Devemos entender que oferecermos as oportunidades e sermos exemplos do que queremos que se tornem, são o único caminho capaz de fazer a criança se alimentar com equilíbrio. Portanto se desistirmos de oferecer, ou agirmos diferente do nosso discurso, jamais chegaremos ao equilíbrio que tanto desejamos.

E o papel da criança?

A parte da criança é decidir se come ou não, se está com fome ou não, se já está pronta para provar ou não e quando está satisfeita, tendo autonomia para decidir parar de comer quando bem entender. Afinal, eles são outro ser, independente, com sentimentos e sensações pessoais. Portanto são donos da própria fome/saciedade. Não necessitam de um adulto que lhes diga o “volume correto” a ser ingerido. Já estragamos isso em nós, não vamos fazer o mesmo com eles. Pelo contrário, vamos aprender com eles a comer o “tamanho das nossas fomes”, nem uma garfada a mais. Como eles costumam fazer!

Por isso “a meta não é fazer a criança comer”, mas organizar um ambiente gerador de oportunidades de melhorias alimentares e nos tornarmos o modelo daquilo que desejamos que se tornem. Afinal, como um ser pode ser protagonista da vida alimentar de alguém além dele mesmo? Isso faz sentido ou não para você?

Temos deveres e responsabilidades sobre a alimentação e geração dos hábitos de saúde dos nossos filhos sim, mas precisamos repensar nossa forma de lidar com esse contexto alimentar. Na maioria das vezes, as ações que objetivam fazê-los comer, experimentar, parar de comer e etc, tem gerado resultados opostos aos desejados. Aquele que queremos fazer comer menos, só come cada vez mais. Aquele que queremos que coma, come cada vez menos, e assim por diante. Pois na ânsia de conseguirmos que nossos filhos satisfaçam nossas expectativas, metemos os pés pelas mãos, não conseguindo o que queríamos, e o pior, gerando um ambiente de conflito constante em casa na hora das refeições, fazendo do momento à mesa, o famoso momento do chororô e do pesadelo de cada dia em volta da mesa. Momento que certamente é só mais um resultado oposto ao que sempre almejamos quando sonhávamos com os momentos de refeições em família.

Pense nisso!!!

Janaina Kühn Barni

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